Vida de luxo

Já estou em Chaves há algum tempo e nunca cheguei a mostrar-vos os meus aposentos. Sim, porque eu sou um verdadeiro Lord e sou tratado como tal, mas não tenho assim muitos luxos no que toca ao mobiliário cá de casa.

Durmo na marquise porque a Maria Teresa não gosta das minhas obras de arte na cozinha e na sala. A Marta diz que eu sou burro, porque se me portasse bem podia ficar na sala, onde está mais quentinho.





Por enquanto durmo em cima da máquina de lavar a roupa, dentro de uma caixinha cor-de-rosa. Não gosto assim muito da cor, mas até é confortável.

Tenho sempre as taças de comida cheias e como peixe do mais caro que há, segundo a Maria Teresa. Ela costuma dizer que como melhor peixe que ela. Pelos vistos é uma fã minha que às vezes me manda algum.

Apesar de todos me acharem gordo sou um gato que gosta de fazer exercício físico. Como não temos cá máquinas em casa e agora está frio para eu ir correr lá fora, gosto de utilizar as costas das cadeiras para fazer umas flexões. Estamos em crise. É preciso reutilizar!







Também tenho brinquedos. Durmo com um peluche que a Marta me deu e que é uma ótima almofada. Também tenho uma bola do Homem-Aranha (a Marta diz que é o mais perto do James Franco que ela conseguiu arranjar. Não percebo porquê) e tenho ainda um guizo pendurado na cozinha para brincar enquanto espero que me sirvam a comida. Às vezes também serve como campaínha para me abrirem a porta da varanda para fazer xixi.



Como está mais frio, o pai já começou a pôr lenha na lareira. Está-se mesmo bem aqui! A Mª Teresa pôs a minha caminha de almofada na sala e agora passo o dia todo a dormir. Este calor dá-me sono. Às vezes até me esqueço de fazer exercício físico!

Bem, deixo aqui um video que a Marta gravou à pouco. É para todos verem como estou em forma, apesar de todos teimarem que estou gordo. A inveja é uma coisa muito feia!











Jimmy, quentinho e em forma, da Cat

Estou de volta!

Ano novo, vida nova! Quem disse isto de certeza que já está morto, pois as coisas por aqui continuam na mesma.
Hoje faço um ano. Estou a ficar velho, mas a Mª Teresa costuma dizer-me que continuo sem juízo. Talvez para o ano ele apareça.

Por aqui as coisas estão todas iguais: eu continuo mais gordo; a Mª Teresa continua a berrar comigo a toda a hora, mas depois enche-me de beijos; a Marta pouco pára em casa, ou quando cá está raras vezes a vejo; e o pai é o único que me dá atenção (e doces para comer!).

Quando acordei a Marta foi à sala apertar-me o pescoço e o focinho e desejar-me os parabéns. Ela diz que aquilo foi um abraço, mas quase que vi a minha vida a passar-me à frente dos olhos! Ela disse-me que hoje havia bolo para festejar-mos, mas eu ainda não vi nada.

Como faço anos a Mª Teresa hoje não está tão chata comigo. Vamos ver como corre o dia... Pelo menos deixa-me ver TV no sofá grande com o pai. Eu agora, supostamente, só posso estar no sofá pequeno, que tem uma mantinha para mim. Mas aquele sofá não está muito bem situado, porque deixa-me o pescoço torto quando tento olhar para a televisão.

Bem, vou voltar para a sala. Já disse à Marta para me tirar umas fotos artísticas com a máquina dela para vocês verem como continuo charmoso. Cheira-me que me estou a tornar num George Clooney: quanto mais velho melhor.

Até logo!

Férias do Carnaval

Querido Diário,

Tive as minhas primeiras férias de Carnaval. Como até me tenho portado bem na marquise (depois de ter destruido a cozinha), no domingo, a Marta resolveu levar-me com ela para a terra dos avós. Disse-me que ia conhecer mais família e que poderia ter um caso com a Fifi, a gata da tia dela. Estava bastante contente!


A viagem foi longa e, como estava muito nervoso, não parei quieto um momento. Mas ao chegar tudo mudou! Fiquei intimidado com a avó da Marta e com a casa. Não faz tanto barulho como a casa da aldeia, mas mesmo assim não quis abusar da confiança e destruir tudo no primeiro dia. Não quis entrar e resolvi ficar à porta. Fiz alguns amigos (pelo menos eu considero-os assim), mas acho que eles não gostaram do meu rosnar.

Depois de almoço a Marta levou-me a casa do primo. Eles têm um cão, o Kiko, que não ficou muito feliz por me ver. A mim foi-me indiferente, eu sou maior que ele! Depois voltámos para a avó. A Marta deixou-me lá e foi passear com a prima mais velha (que tem uma barriga do tamanho da nossa televisão da sala). Eu resolvi partir à aventura! Estive com os gatos vadios e eles mostraram-me uns esconderijos porreiros! Ao final do dia a Marta foi-me buscar e fomos para a casa da tia (eu ia finalmente conhecer a Fifi!).

Quando chegámos a Fifi não estava em casa. Pude comprovar logo que se tratava de uma miúda rebelde (tal como eu!), mas o nosso encontro não foi muito bom. Ela estava-se a fazer de difícil. Eu bem abanava a cauda, mas ela esticava-se toda e rosnava-me. Digamos que tem uma definição de "sedução" diferente da minha. Eu acabei por ficar sozinho na cozinha, onde havia muita comida e onde estava mais quente. A casa era bem fixe! Era grande e eu andei a correr feliz pelos quartos e pelo sotão. Ainda fui dar umas voltas à rua, mas não quis afastar-me muito porque a Marta podia ficar preocupada.

Foram 3 dias muito interessantes onde eu e a Fifi namoravamos à distância, apesar de ela dizer que não.
A viagem de ida para Chaves passou mais depressa. Eu estava muito cansado e fui o tempo todo a dormir. No dia seguinte a Marta voltou para o Porto e eu fiquei aqui com a Maria Teresa. Ela disse que tinha medo que eu tivesse pulgas então comprou-me um shampoo e uma coleira.
Agora estou aqui, limpinho e cheiroso, a comer biscoitos para o hálito. A minha vida depois de vir para aqui nunca mais foi a mesma!

Jimmy (lamechas, mas cheiroso!) da Cat





Sou cozinheiro

Querido Diário,

Parece que mudei de profissão. Não penses que deixei a decoração de interiores, mas agora aventurei-me pela cozinha. Até gosto! Aproveito e como um bocadinho enquanto cozinho.
A Marta já não está comigo durante a semana, então passo mais tempo sozinho. Como não tenho grande coisa para fazer (os pais não me deixam ir ver TV), fico-me pela cozinha. Gosto de mexer no saleiro e de espalhar o sal. Também gosto de me enfiar na caixinha de madeira que tem o pão.

Ontem a Maria Teresa tinha um prato com uma costeleta em cima da banca da cozinha. Já lhe disse que tem de pôr sempre no frigorifico, mas ela não me dá ouvidos! Então resolvi pegar na carne e pô-la no sítio certo! Ela pensou que eu ia comer a carne e ralhou-me. Não era minha intenção, mas no fim acabei por comer a costeleta (eu até nem tinha muita fome!).

Hoje não há festa cá em casa, mas a Maria Teresa resolveu fazer um bolo. Eu estive a ajudá-la segurando no fio da batedeira. Além disso, temos frango assado para o almoço. Eu fiquei muito admirado como o animal bronzeou tão depressa no forno!

Bem diário, vou continuar a chatear a Marta e a mãe.
Até à próxima!

Jimmy (saboroso) da Cat

TV nova e outras cenas maradas

Querido Diário,

Já não escrevia há algum tempo. Não penses que isso significa que as coisas por aqui deixaram de ser interessantes. Bem pelo contrário!
Esta semana recebemos uma encomenda cá em Chaves. Uma televisão MUITO grande! Ainda não estou habituado a ver as coisas tão grandes então saltei para o móvel e tentei apagar a TV. A Mª Teresa assustou-se e pensou que eu ia estragar a nova aquisição então bateu-me no rabo. A mulher é louca. Eu tinha tudo controlado!

A nossa TV é muito moderna e deixa-nos ver videos do Youtube. Não sei bem o que é isso, mas o pai da Marta passa o dia todo lá. Hoje fez de mim parvo e eu chateei-me: procurou no Youtube uns gatos a miar e aumentou o volume da TV. Eu pensei que fosse alguma dama a pedir socorro, então percorri a sala, de orelhas no ar, à procura da gata. Ele e a Marta riam-se alto e eu então apercebi-me que estavam a gozar comigo.

Estou mais gordo. Às vezes caio ao chão e não me consigo levantar. Acho que é o peso da idade. A Marta já me alargou a coleira por três vezes. O pai dela teima em seduzir-me com a comida enlatada da Friskies. Eu não resisto à tentação e devoro aquilo tudo de uma vez. Depois vou ter com a Mª Teresa e peço-lhe mais comida, só para ela não suspeitar que eu já comi antes. Dia após dia a minha barriga aumenta, mas estive a espelhar-me hoje e continuo charmoso, não te preocupes.

Ouvi uma conversa estranha cá em casa. A Mª Teresa e o pai da Marta não me querem deixar voltar para o Porto. Estou indeciso! Aqui tenho companhia a toda a hora, comida da Friskies e uma televisão gigante. No Porto tenho festas a toda a hora e posso fazer asneiras às escondidas. Tenho mais uma semana para pensar no assunto.


Vou ver TV. Até à próxima!


Jimmy, rechonchudo e charmoso, da Cat

Eu só me queria matar

Querido Diário,

As coisas aqui por Chaves já não são tão interessantes. Estou aqui há cerca de um mês e já não há nada de novo para descobrir. A Marta já não quer nada comigo e eu começo a sentir falta das palmadas dela. Bem tentei rasgar as cortinas do quarto dela, rasgar-lhe os apontamentos de Economia, roer-lhe os livros, riscar-lhe os DVDs que ela tanto estima, mas nada. Absolutamente nada a fez levantar a mão e bater-me. Então resolvi partir para outra solução.

Mais uma vez estive a tarde toda na cozinha. Não é mau de todo: estou rodeado de comida e posso dormir à vontade, mas resolvi mudar a rotina. Descobri a caixa dos comprimidos que está no armário, junto ao frigorífico. Não me perguntes como consegui, mas derrubei a caixa e espalhei os comprimidos no chão. Achei aquilo pouco dramático para uma cena de suicídio, então resolvi espalhar a água da minha tigela pelo chão da cozinha. Decorei também os tapetes com a ração, afastei o balde do lixo e atirei a minha cesta de dormir para um canto. Depois sentei-me ao lado dos comprimidos, à espera que a Marta viesse.

Por volta das 23h30 a Marta veio à cozinha. Estava com fome e vinha fazer uma sandes. Quando viu aquele cenário gritou muito alto o meu nome (assustou-me, confesso). Pegou no jornal e bateu-me no rabo com muita força. Apanhou os comprimidos e guardou-os. Depois fez-me estar ao pé dela enquanto limpava o chão com a esfregona. Não percebi por quê! Eu bem sei como o sujei! Depois voltou a bater-me! Agarrou-me com força pelo pescoço (miei muito porque desta vez aleijou-me bem!). Depois, enquanto ela fazia a sandes, resolvi vingar-me pela cena do pescoço, então saltei para as pernas dela e mordi-a. Escusado será dizer que voltei a levar no rabo.

Agora estou de castigo na marquise. Está frio e não há nada aqui que eu possa estragar. Pensando bem, tenho aqui a caixa das necessidades. Já falamos diário, vou decorar o espaço com a minha arte abstracta...


Jimmy (rebelde!) da Cat

Hoje fui ao campo!

Querido Diário,

Hoje fui, pela primeira vez na minha vida, a uma aldeia. Acho que foi uma boa maneira de iniciar este novo ano!
A Marta e a mãe foram visitar a D. Joaquina, a avó da Marta, e levaram-me com elas. A viagem foi um bocado longa, mas não enjoei com as curvas! Quando chegámos, a avó da Marta pegou logo em mim e disse-me que eu era ainda mais bonito do que aquilo que pensava (como se eu não soubesse que sou um gato charmoso!), mas nem com este elogio ela me convenceu: saltei do seu colo e corri para trás de uns vasos, na esperança de que ninguém me visse. A Marta começou a rir-se e levou-me para dentro de casa (estava ainda mais frio do que em Chaves!).

A casa da D. Joaquina é muito estranha: as maçanetas estão ao contrário (em vez de estarem por cima da fechadura, estão por baixo), está muito frio, a casa faz sons estranhos, e há na cozinha uma lareira enorme com um fogo muito forte. Confesso que tive um bocado de medo. Parecia que estava numa casa assombrada de um daqueles filmes de terror. 

A Marta arranjou-me uma caixa para pôr a areia e deu-me leite para beber. No início fiz-me de difícil. Não quis estar a abusar da confiança e então sentei-me numa cadeira muito pequena a apreciar o cenário. Entretanto chegou a prima da Marta, a Filipa, com uma miúda pequena. Se a casa estava assombrada era por causa daquela diabrete de palmo e meio! Agarrou-me muito e puxou-me o rabo muitas vezes. Senti vontade de lhe cravar os meus belos dentes naquelas mãos, mas consegui resistir à tentação.





A tarde foi passando e eu comecei a sentir-me mais à vontade. Bebi o meu leite, explorei a casa, estive no colo da D. Joaquina e ainda tive tempo para me apreciar no espelho do fogão. Tivemos visitas em casa e todas elas ficaram encantadas comigo. Não é para me gabar, mas acho que esta estadia pelo Norte me deixou ainda mais lindo.

Depois de jantarmos (comi um arroz de marisco mesmo bom) viemos para Chaves. Desta vez adormeci na viagem, por isso nem dei pelo passar do tempo.

Agora estou aqui com a Marta a ver o Ratatouille na televisão. O filme é mesmo engraçado. Acho que um dia me vou aventurar por esse mundo como o rato. A Marta está a dormir. Deitou-se às 7 da manhã e acordou ao meio dia, por isso está cheia de sono.

Bem diário, vou desligar o computador e continuar a ver o filme.
Até à próxima!

PS. Hoje vi um burro pela primeira vez. A Marta diz que para a próxima me leva a ver as galinhas.

Jimmy (cada vez mais charmoso) da Cat

A minha primeira passagem de ano

Querido diário,

Pelos vistos já estamos em 2011. Eu não me apercebi muito disso porque ainda sou um tipo novinho e vivi apenas cinco meses de 2010 (mesmo assim não há grandes certezas).
Ontem houve festa cá em casa. Eramos poucos, mas fizemos a festa por muitos. Passei o dia sozinho, de castigo, porque no dia anterior tinha espalhado a minha areia pela marquise. A Mª Teresa não gostou da minha definição de arte abstracta então bateu-me no rabo e disse-me que estava de castigo.

A Marta e a mãe voltaram por volta das 22h. A Marta foi arranjar-se porque pelos vistos ia sair com os amigos e eu fiquei com a Maria Teresa. Estivemos a ver o Idolos e a cantar e a dançar. Eu estava eufórico! A sério diário! Trepava os sofás e corria para debaixo do armário, mas ninguém queria brincar comigo.

Enquanto a Marta tomava banho, a Mª Teresa cortou-me as unhas. Disse que era para me pôr bonito. Não percebi, eu já sou uma beleza!

Quando estávamos perto da meia noite, a Marta abriu um pacote de passas. Como a vi a ir lá mexer fui lá meter o meu nariz. Levei logo duas palmadas que me pus fino.

Depois resolveram meter-se em cima de cadeiras. Eu pensei que fosse algum ritual daqui de Chaves por isso também me sentei em cima de uma. Elas começaram a rir-se. Não percebi onde estava a piada, mas enfim.

Entretanto, o apresentador do Idolos começou a brindar e a desejar um bom ano. Pensámos que já tinha passado a meia noite então mudámos para a TVI (vês diário, sou inteligente e conheço os canais de TV). A Júlia estava aos berros a dizer que faltava pouco. Ficámos mais descansados.

Depois chegou o momento. Brindámos e abraçámo-nos (a Marta quase que me esmagou) e demos muitos beijinhos. Foi divertido.

Bem Diário, vou-me. Acho que vamos até casa da avó da Marta e eu devo ir também. Afinal de contas, já faço parte da família! (A Marta diz que eu sou o filho mais novo cá da casa)