Querido Diário,
Estou a adorar as minhas férias. Chaves é uma cidade muito fria (o meu nariz continua gelado desde que aqui cheguei), mas tenho-me divertido muito por aqui. Cá em casa tenho acesso limitado: tenho a minha casa de banho e a comida na marquise, durmo na cozinha e durante o dia estou na sala, em frente ao aquecedor. Continuo um rufia! Não penses que estou mais calmo, mas passei a ser um rufia sábio. A cada dia que passa descubro novas coisas.
Há dias, quando ia fazer xixi, encontrei uma coisa muito grande e branca, com roupa lá dentro a andar à roda. Fiquei parvo da vida! Nunca tinha visto tal coisa! Perdi a noção do tempo e fiquei colado ao vidro a ver aquilo a girar (acho que fiquei um bocado tonto). A Marta disse-me que eu era estúpido porque nunca tinha visto uma máquina de lavar a roupa.
Outra coisa que aqui em casa é estranho é a quantidade de plantas que existem. Quando entro na sala parece que estou numa selva como aquelas que vejo no National Geographic (sou um tipo culto!). O mais estúpido é que eles têm uma árvore grande com muitas luzes a piscar e uma casinha em miniatura com uns bonecos. Não sei se a culpa foi do efeito psicadélico daquilo, mas o que é certo é que levei duas palmadas no rabo porque pelos vistos estava a roer a cabeça do menino Jesus.
Cá em casa todos me tratam bem. A Mª Teresa no inicio parecia má pessoa, mas até é simpática comigo. Mas eu continuo a achá-la muito estranha. Passa a vida a chamar por mim e quando eu a ignoro ela começa a miar alto. A mulher é louca às vezes.
O pai da Marta é o mais fixe cá da casa. Passa a vida a brincar comigo e é o único que me deixa saltar para cima dos sofás. Com ele posso fazer asneiras porque ele olha para mim e ri-se. Além disso dá-me muitos brinquedos.
A Marta é que anda muito estranha. Raramente brinca comigo. A mãe dela disse-me que ela anda ocupada com trabalhos para a faculdade, mas a verdade é que das vezes que a vi ela estava sempre com ar enervado e a dizer asneiras.
Aprendi uma coisa nova! Já sei abrir as portas sozinho! Dá jeito porque às vezes o pai da Marta esquece-se e tranca a porta da marquise e eu preciso de ir lá para fazer xixi. Hoje consegui abrir a porta da cozinha, depois a da sala e lancei-me que nem um louco pelo corredor da casa. Abri a porta do quarto da Marta e atirei-me para cima da cama. Assustei-a, mas teve piada ver a cara de pânico dela.
Bem diário, amanhã conto-te mais coisas.
Jimmy (o mais belo) da Cat
Bigodes
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
